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Empatia, o meio para se entender cognitiva e emocionalmente as experiências dos outros

  • Foto do escritor: Soul.B
    Soul.B
  • 28 de out. de 2019
  • 4 min de leitura

“Faça para os outros, aquilo que você gostaria que fizessem para você.”

Em algum momento da sua vida você já deve ter ouvido ou falado esta frase, não é mesmo? Esta expressão bastante popular foi usada por muito tempo e inclusive simbolizando a própria empatia.

Contudo, fazer para o outro o que é melhor para mim é justamente permanecer centrado em mim mesmo, descartando o olhar para o outro, de suas necessidades, de sua diversidade, pluralidade, e ao mesmo tempo do quanto um ser humano é único!!

Então, se fosse para ser empático seria mais ou menos assim: faça para o outro o que ele gostaria de receber, que tal?

Para Daniel Goleman, psicólogo PhD pela Universidade de Harvard, reconhecido mundialmente pela publicação de 1995 do livro “Inteligência Emocional”, a empatia é uma das dimensões da inteligência emocional mais facilmente percebida e todos já tivemos alguma experiência na vida ou pela sua presença ou pela ausência.

A palavra empatia, vem do grego empátheia, que significa “entrar no sentimento”, utilizada para designar a capacidade de perceber a experiência subjetiva de outra pessoa. No dicionário, a empatia é a habilidade de compreender o outro, acrescentaria aqui, o entendimento de suas necessidades, sentimentos, ideias e desejos de maneira genuína visando com isso direcionar as nossas próprias ações.

O que por sua vez, não significa adotar as emoções das outras pessoas como sendo suas ou conseguir agradar a todos por ser empático, isso seria humanamente impossível, certo?!

“A empatia contribui justamente para esta conexão entre as pessoas, porque para entender o que o outro sente eu também preciso me conectar com algo em mim que conhece o que outro sente”, diz Bene Brown, PhD em serviço social, pesquisadora da Universidade de Houston, professora e autora de vários livros.

Portanto, quanto mais eu me torno consciente das minhas próprias emoções mais é possível perceber e entender o sentimento do outro também.

Algumas pessoas demonstram dificuldade com seu “ouvido emocional” por não saber o que sentem e por isso ficam perdidas quando precisam reconhecer o que os outros sentem também.

Essa dificuldade ou facilidade de registrar os sentimentos dos outros está diretamente relacionada ao desenvolvimento da inteligência emocional e da compreensão do que é um ser humano, pois todo ser humano se constrói a partir da relação com o outro, ninguém vive sozinho e para isso é fundamental empatizar.

Porém, muitas vezes somos levados a acreditar pelas mídias, problemas com intolerância entre as pessoas, dificuldade em lidar com as divergências, relacionamentos frágeis, dentre muitos outros problemas atuais, que o ser humano não é empático por natureza.

Mas a neurociência já comprovou o contrário, que sim, a empatia nasce com a gente, inclusive a manifestamos desde o nosso nascimento, por exemplo: quando bebês imitamos alguém seja o som ou careta, e esta imitação é uma das bases neuronais da empatia, é porque podemos imitar, que podemos empatizar, e isso só é possível por meio do funcionamento dos neurônios espelho, ou seja, a gente observa no outro e é como se acontecesse dentro de nós mesmos. Por exemplo, quando alguém se machuca com corte de faca, e nos mostra sentimos em nós a dor do outro.

Por outro lado, a empatia também pode ser treinada, desenvolvida, através deste treino o cérebro começa a desenvolver estruturas específicas, cria novas rotas neurais e quanto mais exercitamos este aprendizado ao longo do tempo, mais perceberemos a capacidade em transmiti-la de forma cada vez mais natural.

Trazendo para dentro das organizações a empatia é extremamente importante para qualquer atividade profissional, pois todos temos a necessidade de entender cognitiva e emocionalmente as experiências dos outros, como forma de questionar ou provocar mudanças sobre o que está instituído, exercer a liderança, aumentar a assertividade junto ao cliente, fortalecer o trabalho de equipe, estimular e ampliar as oportunidades como negócio, entender e transformar a cultura, dentre outras infinitas possibilidades, sendo um dos nossos principais desafios assumir sua importância e desenvolver esta competência dentro das empresas de forma sistêmica! 

Também para Belinda Parmar, fundadora da consultoria britânica The Empathy Business e selecionada com uma Young Global Leader, pelo Fórum Econômico Mundial, ela descreve em um dos seus artigos para Harvard Business Review que existe uma relação direta entre a empatia e as organizações de sucesso.



Para comprovar isso Belinda Parmar, criou o “índice de empatia corporativa”, que consiste em entender o nosso impacto emocional sobre os outros e fazer mudanças como resultado, a pesquisa avaliou 160 empresas, onde as 10 mais empáticas comparadas as 10 menos empáticas do ranking, tiveram o seguinte resultado: 1) um aumento de valor maior que duas vezes; 2) geraram 50% mais de lucro; 3) um aumento de 6% em média na receita, enquanto as piores tiveram uma queda de 9%.

De acordo com Belinda “para que empatia tenha um impacto duradouro a mesma não deve ser vista somente como uma “soft skill”, mas sim como uma habilidade urgente e capaz de contribuir com resultados das organizações”. Nesta mesma pesquisa citada acima, a autora também identifica 08 comportamentos das empresas mais empáticas, são eles:

1.   Preocupação com suas culturas;

2.   Atraem a geração Y por meio da inovação;

3.   Admiram a Liderança; (pela humanidade e conexão com a causa da empresa)

4.   Insistem em ser transparentes e verdadeiros;

5.   Compartilham a história e os valores por trás da sua marca;

6.   Utilizam as mídias sociais de forma empática através do diálogo;

7.   Ouvem e dialogam com seus “haters”;

8.   Fazem da ética a prioridade do conselho administrativo;

Todos os pontos citados reforçam que estamos vivendo em um mundo de desafios cada vez mais complexos, conectados em rede, com mídias sociais que clamam por transparência e autenticidade, por isso há necessidade de estarmos mais receptivos, buscando a empatia como um elo para nos conectarmos uns aos outros de forma colaborativa. Afinal de contas, ninguém cresce sozinho!!

 
 
 

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